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O ano era 1987, e o país percorria o difícil caminho de transição entre a ditadura e o regime democrático. Nessa época, o Arquivo Público do Estado ainda ficava no número 183 da Rua Antônia de Queirós, num prédio que hoje nem existe mais. Foi nesse endereço que se realizou, no dia 14 de setembro daquele ano, a assembléia de fundação da Associação dos Amigos do Arquivo.

A Associação já nasceu com o objetivo claro de ser parceira da instituição. Suas metas mais importantes eram promover a valorização e o aprimoramento técnico e cultural do Arquivo; mobilizar a comunidade a apoiar a instituição; e captar recursos materiais e financeiros para o Arquivo. Embora a reunião tenha acontecido no dia 15, a data oficial de nascimento da AAA ficou sendo o dia 16 de setembro de 1987, que marca o 266º aniversário do primeiro inventário de documentos públicos já feito em São Paulo.

Participaram da fundação do AAA nomes conhecidos da academia e da sociedade civil, como o professor Dalmo de Abreu Dallari, então diretor da Faculdade de Direito da USP, e que se destacou na luta pelas liberdades democráticas; o atual secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, que na época dirigia a Cinemateca Brasileira; a escritora Lygia Fagundes Telles; e vários funcionários do Apesp, entre os quais o atual coordenador, Professor Carlos de Almeida Prado Bacellar.

Ata da assembleia para
criação da AAA.

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Também marcaram presença na reunião o ex-governador André Franco Montoro; o geógrafo Aziz Ab´Saber; o crítico literário Antônio Cândido; os historiadores Carlos Guilherme Mota, Nicolau Sevcenko e Edgar Carone; o escritor e jornalista Fernando Morais; o jurista José Carlos Dias; o ex-secretário da Cultura Jorge da Cunha Lima; o editor Luis Schwarcz; e o crítico teatral Sábato Magaldi. E, finalmente, esteve presente o empresário e ex-secretário da Cultura José Mindlin, que redigiu e assinou a ata.

Já na reunião seguinte da AAA, em 16 de dezembro de 87, Mindlin foi eleito para a presidência da Associação. Recentemente falecido, o empresário foi um grande incentivador da preservação da memória. Bibliófilo que abria generosamente seu acervo particular a pesquisadores, legou, em 1999, 17 mil títulos e 40 mil volumes para a formação da biblioteca Brasiliana, na USP. Assim como sua esposa, Guita Mindlin (primeira presidente da ABER, Associação Brasileira de Encadernação e Restauro, e que também chegou a integrar a diretoria da Associação de Amigos do Arquivo), Mindlin deixou sua marca em várias iniciativas culturais paulistas e brasileiras.

A partir da reunião de 16 de dezembro de 1987, o empresário passou a encabeçar a primeira diretoria do AAA, na qual a vice-presidente era a arquivista Ana Maria de Almeida Camargo; o primeiro secretário, Thomaz de Aquino Nogueira Neto; o segundo secretário, Carlos Augusto Calil; o primeiro tesoureiro, o economista e professor da FEA-USP Iraci Del Nero da Costa; e o engenheiro João Evangelista Rodrigues Leão atuava como segundo tesoureiro. Atualmente tem como Presidente do Conselho Administrativo o jornalista e produtor cultural Vladimir de Abreu Sacchetta e como Vice Presidente a historiadora Heloisa de Faria Cruz.

Hoje, a Associação tornou-se a principal parceira do Arquivo Público do Estado de São Paulo na tarefa de preservar e difundir a memória pública. Enquanto Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, título deferido em 2008 e publicado no Diário Oficial do Estado em 8 de dezembro deste ano), esteve à frente de grandes projetos de conservação e duplicação do acervo do Arquivo, como a Preservação e Acesso ao Acervo Digitalizado da Última Hora; o projeto “Presença do Imigrante na Memória Nacional: preservação e divulgação do conjunto documental dos Núcleos Coloniais da Região de Campinas (1886-1922)” – apoio BNDES -2009; e o projeto “Memórias Paulistanas: preservação e disponibilização de ofícios diversos de São Paulo (1822-1919)” – termo de parceria com o Arquivo Público do Estado de São Paulo para realização do convênio com o FDD.

Na perspectiva de crescimento do Arquivo e da ampliação de suas atividades, torna-se necessário discutir os novos desafios que se colocam para a Associação de Amigos do Arquivo nos próximos anos; revigorar a estrutura financeira da entidade; e definir linhas de atuação para a conquista de novos parceiros.

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